História
Antioquina
Escavações arqueológicas sempre revelaram uma grande diversidade de povos que viveram no Norte da Síria desde o quarto do milênio A.C., onde pequenos povoados começaram a aparecer principalmente na região entre a Antioquia e Alepo. Ate 1700 A.C., os egípcios dominavam a cidade, depois invadida por hititas e assírios, babilônios, persas e finalmente os macedônios como ALEXANRE O GRANDE. A importância estratégica da região favorável ao comercio entre Egito, a Palestina e o Norte do Rio Eufrates sempre atraiu invasores.
Há várias versões para a fundação da Antioquia. A mais aceita diz que os Antígonas monoftalmos iniciou sua construção de uma cidade Antígona por volta de 300 A.C.
Após sua derrocada a morte, seu rival Seleucos I. Nicator fundou a cidade. Talvez pelo generoso Rio Orontes, de varias fontes de águas límpidas, circundada por montanhas que lhes davam segurança. Antioquia tornou-se a capital do reinado Seleucida e foi um dos mais brilhantes centros da civilização helênica: boulevards, bibliotecas, pontes e edifícios públicos davam pujança a cidade.
Os habitantes da antiga Antioquia revelavam as adversidades de seus invasores, onde conviviam pacificamente culturas orientais e ocidentais.
Daí abrigar um dos primeiros centros de propagação do Cristianismo. Após a tomada de Jerusalém, tornou-se de fato a metrópole da nova religião. Lá São Paulo fez seu primeiro trabalho de evangelização e São Pedro fundou sua primeira igreja. Foi considerada a Cidade Sagrada, juntamente com Alexandria e Roma.
O primeiro romano foi o áureo da civilização Antioquia, Julio César conquistou a cidade em 64 A.C. deu-lhe status de cidade livre e, logo em seguida, fez construir templos, aquedutos, colunas, anfiteatros e banhos públicos. A vida cultural era efervescente e até jogos olímpicos lá foram disputados.
Sua situação Geográfica proporcionava o sofrimento de vários e terríveis terremotos, algum deles causando grandes destruições, tendo sido reconstruída varias vezes.
Foi ocupada pelos Árabes em 638, tomada pelas cruzadas em 1.098, e finalmente anexadas ao Império Otomano em 1517.
Após a primeira Guerra Mundial ( 1914/1918) a região tornou-se a Síria sob protetorado francês.
Em 1939, por problemas políticos, a região de Antioquia foi cedida a Turquia, juntamente com Alexandria. Atualmente sua principal atividade econômica é a agricultura, baseada no cultivo do tabaco, algodão, azeitona e milho. As amoreiras servem à confecção de seda e os óleos à industria da perfumaria e sabonetes.
Manufaturas de sapatos, facas e licores fazem parte da economia da cidade.
A Imigração Árabe no Brasil
A imigração árabe no Brasil é resultado de uma serie de fatores convergentes, econômicos, demográficos e políticos que contribuíram para que milhares de pessoas cruzassem o Atlântico no fim do século XIX e inicio do século XX, com o claro objetivo de tentar a vida nova na América.
A questão dos destinos dos imigrantes Árabes não era muito relevante. A vontade de emergir, de fazer a “América” onde quer que fosse – Brasil, Chile, Argentina, Canadá ou Estados Unidos – prescindia a determinação de um destino específico com tudo, quando os primeiros imigrantes se estabeleceram no Brasil, a questão do destino, de encontrar ou não parentes e conhecidos passou a ser fundamental.
Ao contrário de outros grupos de imigrantes vindos da Europa anteriormente que foram transportados de forma subsidiada para a zona rural, os Árabes vieram por conta própria e se estabeleceram nos centros urbanos. Desde o início da imigração até 1942, foi registrada a entrada de cerca de 106.000 imigrantes da Síria, Líbano, Palestina, Egito, Marrocos e Argélia no Brasil, a maior parte deles fixando-se no estado de São Paulo, tanto na capital como no interior. Os imigrantes árabes começaram a agrupar-se em locais onde os patrícios já haviam se estabelecido. Ali se sentiam unidos por uso, costumes e língua. Mas a integração a nova terra se deu gradual e interruptamente, sobre tudo por meio dos mascates (a palavra mascate é um topônimo originado do ponto de um emirado árabe, chamado Muscat, conquistado pelos portugueses 1509) que eram mercadores ambulantes que percorriam ruas e estradas, vendendo pequenos objetos manufaturados, auxiliados pelas poucas frases e palavras aprendidas em português.
Pouco adaptados a vida rural, os árabes fixaram-se nas cidades e logo se voltaram para o comércio. Pouco a pouco começaram a vender produtos de armarinhos, tecidos e roupas prontas.
Espalharam-se por praticamente todas as regiões do país, percorrendo bairros das capitais, cidades do interior e fazendas chegando até as regiões mais longínquas: alcançaram os Estados do Mato Grosso, Amazonas, Ceará, Goiás, Paraná e Acre em tropas de burro, conduzidos por guias locais.
Nas cidades de São Paulo instalaram-se nas regiões da 25 de março , Florêncio de Abreu , Cantareira e na Avenida do Estado abrindo pequenas lojas e comercializando ali produtos antes mascateados.
Na realidade os árabes lançaram um novo tipo de prática comercial “popular” revolucionária para os moldes da época.
Adotaram uma política de crédito, reduzindo lucros para aumentar o volume de vendas buscavam alta rotatividade no estoque, promoviam liquidações, reinvestiam o lucro no próprio negócio, valorizavam e conquistavam consumidores. Gradualmente no mercado varejista passaram para o atacadista e posteriormente para a indústria, principalmente tecelagem e confecções, favorecidas pelas quedas das importações durante a Guerra Mundial de 1914. Tornou-se evidente o fortalecimento do poder econômico do grupo.
Algumas famílias ricas e de vidas luxuosas, começavam a se destacar, lideranças econômicas adquiriram status e poder no interior da comunidade por meio do estabelecimento da instituição religiosa, beneficente (sanatórios, asilos e orfanatos) escola, clubes, hospitais, jornais e revistas entre outros. Com a diminuição do movimento migratório dos anos 30, aquelas associações dedicadas a acompanhar os imigrantes recém chegados convertem-se em entidades com fins sociais e culturais, ou seja, clubes e grêmios, ampliando suas atividades para competições esportivas como reforço da identidade étnica.
O sucesso econômico abria as portas para o engajamento na sociedade brasileira. A plena aceitação viria nas gerações posteriores, já educadas em colégios particulares freqüentados pela classe média alta tradicional.
Como consequência os filhos e netos dos imigrantes começaram a penetrar com grande sucesso nas chamadas profissões liberais.
Na década de 40, já podemos contabilizar magistrados, professores, juizes, desembargadores, diretores e presidente de associações e instituições públicas. O próximo passo seria a conquista do espaço político. Os imigrantes não foram somente se integrando a sociedade brasileira, eles também revolucionaram seu cotidiano, introduzindo novos costumes, comidas exóticas, músicas típicas, festas e cultos variados. Novos hábitos e influência foram assimilados pela terra tropical, formando um pluralismo étnico, único e original. Do mascate ao empresário industrial e comercial, os árabes e seus descendentes ajudaram a escrever, com caracteres árabes e ocidentais a história contemporânea brasileira.
Primeiros Registros
A Sociedade Beneficente Antiochense (Antioquina) foi fundada em 09 de novembro de 1927. Foi uma primeira tentativa de criação de entidades, mas por motivos diversos interrompeu suas atividades entre março 1931 e outubro de 1933. Nesta data após uma reunião na casa de Jamil Zarif e com a presença dos principais membros da família antioquina de São Paulo ressurgiu definitivamente. Tinha como objetivo principal ajudar financeiramente e com empregos parentes e amigos, recém chegados da Antioquia, além de facilitar o retorno a Síria daqueles que assim o desejassem.
O primeiro Presidente eleito foi Jorge Zarif. As primeiras reuniões da diretoria foram realizadas no salão da Igreja Ortodoxa de Nossa Senhora na Rua Itobi atual Basílio Jafet nº. 115, ou na casa dos associados.
Posteriormente foi alugado um imóvel na Rua Correia Dias nº. 136 local da primeira sede.
Após algumas mudanças de sede foi adquirido um terreno na Rua Cubatão 726, projetada por Sami Bussab e construída pela empresa Zarif Canton, a obra com quase 4.000 metros quadrados de área construída levou muitos anos para ser finalizada e inúmeros livros de ouro, rifas e quermesses... e graça ao trabalho incansável e persistência e patrocínio de Presidentes e Diretores que não mediam esforços para ver o sonho de uma sede própria realizado.
A Agitada vida Social
Enquanto a obra da Rua Cubatão era finalizada as festas e carnavais eram realizados em vários salões alugados, principalmente no elegante Fasano no Club Homs, sempre prestigiados pelas sociedades co-irmãs de Santos e Rio de Janeiro.
Nas festivas reuniões da Rua Correia Dias era presença obrigatória musicas e instrumentos da terra natal, sem contar a incomparável culinária árabe.
Em 26 de julho de 1949 um grupo de jovens antioquinos fundou o Grêmio antioquino, um ponto de encontro para incrementar as atividades sociais, esportivas e culturais de entidades. A adesão dos jovens foi total e tinha como objetivo manter os laços de amizade entre as famílias, a não perder e transmitir as tradições e costumes da terra natal para os filhos aqui nascidos.
Em 28 de dezembro de 1956 deu-se a fusão entre Grêmio antioquino e a Sociedade Beneficente Antioquina, dando origem a atual Sociedade Antioquina do Brasil.
Sem deixar de preservar as tradições árabes, os jovens antioquinos facilmente se adaptavam as festas e costumes brasileiros: carnaval, festa junina, dia das crianças, natal, reveillon, futebol. Mesclavam-se naturalmente com o Dabke, Alaúde e o Arak.
Até os dias de Hoje
A sede da Rua Cubatão valorizou comercialmente e tornou-se inviável para um Clube. Logo após propostas irrecusáveis, optou-se por alugar o imóvel. Fomos a Rua Iapés, a Rua Vereador José Diniz. Atualmente a Sociedade Antioquina do Brasil revive e eterniza com os antioquinos, descendentes e amigos a típica Festa de Santa Bárbara, a tradicional Páscoa Ortodoxa e varias tradições da Antioquia na bela sede própria da Rua Eça de Queiroz, 472.


